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Famílias despejadas no Capão conseguem desapropriação de terra

20.04.2010

Depois de dois anos de ocupação e de uma reintegração de posse violenta com repercussão mundial, as 890 famílias do acampamento Olga Benário, no Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo, tiveram uma vitória. Já foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo a desapropriação da área para construção de habitação de interesse social.   

 O despejo violento aconteceu em meados de agosto deste ano, após tentativas do Fórum de Moradia e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Fommaesp), ligado à Frente de Luta por Moradia (FLM), de negociar atendimento habitacional junto aos governos Municipal, Estadual e Federal.
Após a reintegração, as famílias continuaram a reivindicação acampadas na calçada, em frente ao terreno reintegrado. Crianças, idosos e adultos foram submetidos a condições subumanas de moradia. Sem água, comida, energia elétrica e banheiros. As crianças deixaram de ir para à escola, sendo que muitas delas tiveram cadernos e livros triturados no despejo. Os postos de saúde da região tinham a ordem de não atender as famílias. Diante das condições precárias, a ajuda e a solidariedade chegaram de vários cantos do país e fora dele, como da Anistia Internacional.
Pressionada, a prefeitura viabilizou atendimento emergencial para os dois primeiros meses e deu às famílias a garantia do atendimento até que a moradia definitiva seja concretizada. As negociações entre movimento e poder público continuam.
As famílias sabem que há muito luta ainda a ser feita. Por isso, criaram a Associação Olga Benário, e fincaram sede em um galpão localizado na rua Alfredo Lourenz, número 37, próximo ao terreno reintegrado.
Ana Aslan – O terreno, de 14 mil metros quadrados localizado na rua Ana Aslan, era  de propriedade da Viação Campo Limpo, vazio há 20 anos. Possuía dívidas junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao Banco América do Sul, que ultrapassavam R$ 7 milhões. Como o projeto habitacional previsto para a área desapropriada não comporta o atendimento de todas as famílias do Olga Benário, outra área, ao lado do antigo acampamento, também foi desapropriada, com publicação no Diário Oficial.



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