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Movimentos lançam campanha de moradia em São Paulo

20.04.2010

O Programa Urbano lançou, na quinta-feira (12), no centro de São Paulo, a campanha Os pobres continuam sem casa. Desde às 8h, foi montada uma tenda na Praça Ramos, no centro, em frente ao Teatro Municipal, para a entrega à população da cartilha e do folder, que levam o nome da campanha e com as reivindicações propostas a partir das análises do diagnóstico participativo, e a coleta de assinatura para PEC (Proposta de Emenda Constitucional) da Habitação.
De acordo com Sueli de Fátima, coordenadora do MDF, a cartilha foi bem aceita e entendida, pois centenas de pessoas pararam na tenda e nas mesas de coleta de assinatura e distribuição para receber o material. “Este é um lugar bem estratégico para a campanha. Aqui na região central conseguimos atingir pessoas das mais diferentes regiões da cidade. Todos que aqui param estão receptivos a nossas propostas, que aliás são propostas de uma população carente que busca ser ouvida e atendida pela prefeitura de São Paulo, pelo governo do Estado e pelo governo federal”, afirmou.
Segundo Osmar Borges, da APOIO, apesar de a autorização para a montagem da tenda ter sido apresentada à Prefeitura de São Paulo, nenhuma resposta foi dada. “Era óbvio que não nos dariam a autorização, mas isso não impediu o lançamento da nossa campanha nem a entrega da cartilha Os pobres continuam sem casa. Às oito horas, quando chegamos, policiais vieram tentar impedir a nossa ação, mas mostramos o ofício sem resposta e os convencemos que de somos um movimento pacífico, reivindicamos apenas condições dignas de moradia para a nossa população”, disse Osmar. “Além disso, estamos alertando sobre a falta de políticas públicas que alcancem as famílias com renda entre zero e três salários mínimos.”
Ao redor da tenda foram montadas mesas para a coleta de assinaturas e distribuição da cartilha e do folder Os pobres continuam sem casa e uma exposição fotográfica com ações do Programa Urbano.
O som ficou por conta de uma bicicleta com aparelho e caixas de som adaptadas. Integrantes do CCJ, da APOIO e do MDF se revezavam na tarefa de conscientizar as pessoas sobre a moradia como um direito humano e informavam sobre as possibilidade de intervenção e organização da sociedade. “A campanha também teve como objetivo mostrar à população o trabalho desenvolvido pela APOIO, MDF e CCJ, as organizações responsáveis pela implementação do Programa Urbano, e o quanto é importante a participação popular nessa luta”, afirmou Sueli de Fátima.
A intervenção urbana na Praça Ramos deu visibilidade aos problemas habitacionais enfrentados pela população de baixa renda em São Paulo. Na cidade existem cerca de 750 mil pessoas vivendo em condições precárias de habitação e milhares de imóveis abandonados. “Em contrapartida, o Minha Casa, Minha Vida, o principal programa habitacional do governo federal, não contempla recursos para urbanização de favelas e reforma e investimentos de conjuntos habitacionais”, afirmou Osmar. “Precisamos ocupar os mais de 450 mil imóveis ociosos da capital.”
O Programa Urbano (Redução da Pobreza Urbana e Acesso a Políticas Públicas e Habitacionais na Cidade de São Paulo) é uma iniciativa apoiada pela União Européia e por Cafod, a agência da Igreja Católica da Inglaterra e do País de Gales, para a promoção do desenvolvimento e redução da pobreza por meio do enfrentamento do problema da moradia para a população de zero a três salários mínimos, a articulação de políticas públicas urbanas que promovam uma cidade justa e as várias formas de diálogo com o pode público. No Brasil o programa envolve a APOIO (Associação de Auxílio Mútuo da Região Leste), o Centro de Capacitação da Juventude (CCJ) e o Movimento de Defesa do Favelado (MDF).



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